sexta-feira, 17 de setembro de 2010

FBM - Gurgel das motos

Comparar a FBM (Fabrica Brasileira de Motocicletas) com a Gurgel (Carros) não seria um exagero, cada uma em seu setor e guardadas as devidas proporções ambas foram inovadoras para seu tempo, ter muita vontade, rústicidade e acabamento simples eram traços comuns e não por coincidência ambas usavam fibra de vidro. A FBM chegou a ter 220 funcionários e era dirigida pelos uruguaios Angel Jacobo Falkas Guelman e Armando Hugo Secco.

Fundada no ano de 1973 num galpão de 10m², uma oficina de fundo de quintal na cidade de Canoas – RS, onde a pintura do tanque e laterais era feita na base da pistola. Quem quisesse, era só visitar a oficina e encomendar a moto escolhendo a cor, era uma aventura... mas já se percebia que apostavam no futuro, pouco tempo depois foi transferida para Cachoeirinha um lugar bem maior.

Produziam motos na sua maioria off-road, com motor de 2T, grandes aletas para refrigeração a ar, o que tornava o aquecimento quase impossível, mesmo em baixas velocidades. Com câmbio argentinos da Zanella (licenciada pela italiana Minarelli), suspensão dianteira Cibana (Uruguay) e traseira FNA (Brasil) já anunciava a integração do Mercosul tanto em moda nos dias de hoje. Era toda de fibra, inclusive o tanque, o que causava alguns problemas nas primeiras motos, pois a fibra ia se deteriorando por falta de revestimento interno. Impressionavam, mas o motor 125 era um tanto fraco e de ronco estranho, sem autolube tinha-se que misturar o óleo na hora e o freio era ineficiente mas tinha um visual lindo.

Só em 1979 ela passou a ganhar algum destaque no cenário nacional, pelo lançamento de sua off-road, a FBM Rallye 125, que foi a primeira moto produzida no Brasil para o enduro (a TT era apenas uma modificação da RX), tinha também uma street, chamada FBM 125, que não teve o mesmo sucesso.

Em 1982 foram lançados dois novos modelos, FBM MR 125 Rallye (14,4 CV) e 200 Rallye (21 CV) , que possuíam um quadro muito resistente, com uma suspensão traseira bi-choque, de pequeno curso, além de um escapamento pouco adequado para a prática off-road.

Em 1983 lançou a FBM Kapra 125 TR e FBM Kapra 200 TRS ainda com suspensão bi-choque, não adequadas a pratica off-road mais radical. À época, a fábrica afirmou já ter um protótipo, chamada Kapra II com suspensão traseira monochoque e maior potência, o que viria a colocá-la em condições de competir com a DT 180, contudo, não passou de um protótipo. Especulou-se ainda neste ano, o lançamento de uma street 200, baseada na Zanella JR 200, projeto que não saiu da fase de estudos . Neste mesmo ano, os dirigentes da FBM procuraram a Kawazaki e a Benelli, tentando estabelecer um acordo tecnológico, que acabou não acontecendo.

Em 1984 a FBM firmou um acordo com a fábrica MZ (Motorradwerke Zschopau), da então Alemanha Oriental (DDR), com tecnologia das extintas DKW. E lança a primeira moto nacional 250 cc street, categoria que iria se firmar anos depois, e que hoje representa grande fatia do mercado. As RS e RSJ modelos baseados na ETZ alemã, porém com um visual mais modernos, tiveram dificuldade de penetração no mercado devido à diferença de tecnologia com as japonesas, privilegiavam a resistência e a baixa manutenção mesmo assim 11.840 unidades foram comercializadas.

As motos MZ levavam em sua composição apenas 30% de peças importadas, e seu maior mercado consumidor por incrível que pareça eram as regiões Norte e Nordeste. Havia planos para o lançamentos de outros modelos frutos desta parceria.

Contudo, dificuldades financeiras tanto da FBM, como da própria MZ alemã não viabilizaram o projeto. A falência da MZ do Brasil foi atribuída ao não cumprimento do acordo por parte da empresa alemã Transport Maschinen Export-Import, provavelmente pela instabilidade econônica do plano Cruzado II. Dia 30 de setembro de 87, a juíza Isabel de Borba Lucas, da 1ª Vara de Cachoeirinha, decretou a falência da MZ Simson do Brasil S.A.

Era o fim da primeira fábrica de motos brasileira, e a meu ver a mais importante, pois tiveram outras, que também tiveram o mesmo fim. Hoje Dafra, Kasinski e outras menores tentam garantir sua perpetuação no mercado.

A FBM Motos teve o seu nome inspirado nessa empresa, que ousou, e fez a diferença.

Fonte : Sites e revistas de época

16 comentários:

cRiPpLe_rOoStEr a.k.a. Kamikaze disse...

infelizmente hoje o que menos se vê é reconhecimento ao que se fez no passado (relativamente) recente...

Anônimo disse...

POxa, que recordaçao.....

Só VC mesmo pra poder resgatar estas verdadeiras Lendas do nosso motociclismo...
Quase comprei uma MZ na decada de 80, mas acabei mesmo ficando com as Agrales, e a DAKAR esta aqui bem guardada agora...
Parabens pelo brilhante trabalho pela memoria motociclistica...
Giancarlo

Anônimo disse...

Eu morava no RS naquela época e cheguei a visitar uma concessionária MZ. A moto era muito bonita e impressionava por ter um motor de 250cc quando quase todas tinham motor de 125cc. Uma pena que tenha acabado pois tinha um grande futuro pela frente. Abs.Paulo

marcos jesus disse...

em 82 comprei uma rx 80 da Yamaha, minha primeira moto, mas em 83 quando vi aquela moto verde, não resisti e disse vou comprar, e fiz um sacrifício mas comprei. Me ofereceram outras marcas mas eu queria aquela moto que mora dentro de mim até hoje.Tive varias fbm ate a kapra 125, o tempo passou mas a saudade delas eu guardo com muito carinho da minha mr200 verde, onde ela estiver ou alguma parte dela, um abraço.

marcos jesus disse...

em 83 comprei uma 200mr verde fbm e depois uma kapra 125 tr, eu guardo na memoria tudo que vivi, saudades dos bons tempos, a moto que marcou minha vida como motociclista, a minha verdona mora dentro do meu coração.

Onurb Bhz disse...

Marcos Jesus, eu tenho uma FBM MR 200 Verde - 1983 em bom estado de conservação e que estou iniciando uma restauração. Caso voce ou alguem desse blogger possuir material fotografico, manuais ou peças tenho interesse.

onurb_bhz@hotmail.com

Onurb Bhz disse...

Marcos Jesus, eu tenho uma FBM MR 200 Verde - 1983 em bom estado de conservação e que estou iniciando uma restauração. Caso voce ou alguem desse blogger possuir material fotografico, manuais ou peças tenho interesse.

onurb_bhz@hotmail.com

Onurb Bhz disse...

Marcos Jesus, eu tenho uma FBM MR 200 Verde - 1983 em bom estado de conservação e que estou iniciando uma restauração. Caso voce ou alguem desse blogger possuir material fotografico, manuais ou peças tenho interesse.

onurb_bhz@hotmail.com

Onurb Bhz disse...

Marcos Jesus, eu tenho uma FBM MR 200 Verde - 1983 em bom estado de conservação e que estou iniciando uma restauração. Caso voce ou alguem desse blogger possuir material fotografico, manuais ou peças tenho interesse.

onurb_bhz@hotmail.com

José Francisco disse...

Por favor! Voces que tem essas motos FBM, postem videos no Youtube! E mais coisas na net como em grupos de motos 2t no facebook e em fóruns. Porque é ridiculamente escassa a informação e o conhecimento desse assunto. No Youtube já vasculhei videos atrás de uma FBM funcionando, simplesmente não existe nada!!! Tive uma FBM mas tinham colocado um motor de CG, então sempre fiquei na curiosidade em saber como elas eram na realidade. A história não pode ser perdida.

José Francisco disse...

Por favor! Voces que tem essas motos FBM postem videos no Youtube, e mais coisas na net como em grupos de motos 2t no facebook e em fóruns. Porque é ridiculamente escassa a informação e o conhecimento desse assunto. No Youtube já vasculhei videos atrás de uma FBM funcionando, não existe! Tive uma FBM mas tinham colocado um motor de CG, então sempre fiquei na curiosidade em saber como elas eram na realidade

Rodrigo Figueiredo disse...

tenho um quadro da fbm 125 porem a mesa esta ruim alguem sabe qual mesa pode ser adaptada sem problemas

Anônimo disse...

Alguem sabe por onde andam os Uruguaios da FBM e MZ? Angel Jacobo Falkas Guelman e Armando Hugo Secco. Eles sao parte viva da historia. De como um pais virar as costas a uma fabrica genuinamente brasileira, que resistiu por 4 anos produzindo em boa escala. O mesmo foi feito com a Gurgel, liquidada na casca. Flavio DB

Canil da Serra da Cantareira disse...

com a falência da MZ o Banco do Brasil arrematou todo o lote de peças e maquinário. As peças foram levadas a leilão e tinha 46 quadros e 86 motores, além de uma infinidade V de peças. O arrematante de Santos regularizou os quadros, obtendo documentos co protótipo. Foram vendidas algumas montadas e outras desmontadas. Todos os 86 motores eram completos e zero km. Muitos aproveitaram esses documentos de protótipo e montaram em triciclos e outras motos.
Flavio D.B

Nelson correa de carvalho disse...

fis parte dessa historia fui funcionario da FBM trabalhei como torneiro mecanico que saudades me da . nelson .rs

Fbm Motos disse...

Nelson correa de carvalho, tem alguma foto ou documento da epoca?